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Estrada Velha de Santos ganha melhorias e vira opção de passeio de muitas famílias

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Há transporte de van custando R$20 por pessoa com horários de parada por cada um de seus oito pontos turísticos, trilhas inesquecíveis em meio a natureza e lugares históricos e até Food Truck

Uma das belezas de viajar está ligada ao fato de conhecer lugares novos. Mas revisitar lugares por onde já passamos também pode ser divertido. Enquanto na primeira vez o olhar aprecia cada canto – estamos atentos a tudo, tentando captar cada detalhe da aventura -, na segunda as mudanças se tornam mais evidentes, mas também ficamos mais relaxados.

Em fevereiro de 2020, fiz, a pé, o percurso de 9 quilômetros da Estrada Velha de Santos, que corta o Parque Estadual da Serra do Mar. Na semana passada, voltei ao local, que ganhou facilidades na visitação e agora está sob gestão da empresa Parquetur.

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A Estrada de Santos, que já nos inspirava a cantarolar a canção de Roberto Carlos pelo caminho, oferece vantagens extras durante a pandemia: ao ar livre, sem aglomeração, pertinho de São Paulo (apenas 1h30 de viagem) e seu percurso pode ser feito com toda a família.

E se antes era preciso ter fôlego para fazer o trajeto a pé – com o perrengue extra de tentar conseguir um carro de aplicativo para voltar à entrada do parque -, agora um serviço de van auxilia os visitantes. “Isso está sendo muito bem-aceito e as pessoas estão curtindo muito mais o passeio sabendo que têm esse conforto”, conta o gestor do parque, Carlos Telecki, que assumiu o cargo em 16 de junho.

O transporte, que custa R$ 20 por pessoa, funciona com horários de paradas em cada um dos oito pontos turísticos. Assim, não é necessário fazer reservas, mas, por ser algo de uso público, fica dependendo da disponibilidade de assentos.

Você pode adquirir o cupom antecipadamente com o ingresso (que varia entre R$ 15 e R$ 50) ou acertar o valor após o uso, na bilheteria. De acordo com o gestor, o veículo é higienizado com álcool spray a cada viagem e suas portas e janelas são abertas para garantir ventilação. Além disso, todos precisam estar com máscaras – não só na van, mas ao longo de todo o percurso.

Na minha primeira vez no parque, em pleno verão, não demorou para minha garrafinha d’água secar. Agora estamos no inverno, mas a lanchonete Food Truck da entrada me permitiu garantir um lanchinho e água extra para a viagem – coisa que antes não existia.

“Em breve também iremos inaugurar uma loja de itens de necessidade e souvenir para o pessoal comprar filtro solar, repelente, bonés, enfim. Acho que até o fim de setembro essa funcionalidade deve estar instalada”, esclarece Carlos.

Com água e tíquete comprados, é hora de começar a trilha. A intensidade é moderada, mas a visão indescritível da Baixada Santista e a trilha sonora de pássaros ajudam a amenizar o esforço e transformam o passeio em um momento de tranquilidade para aquele que se atenta ao entorno.

Aos visitantes mais velhos, pessoas com deficiência ou com carrinho de bebê é indicado o roteiro Caminhada Leve pelo Planalto, uma trilha de três quilômetros com pouco desnível. Já para os mais aventureiros, recomendamos começar pela Calçada do Lorena.

O caminho tradicional, que passa por todos os monumentos, é o ideal para quem é iniciante na visitação ao parque. Foi o meu trajeto em minha primeira visita, uma caminhada de cinco horas feita com tranquilidade e muitas pausas para fotos e admirar a paisagem.

As trilhas continuam disponíveis para aqueles que preferem explorá-las livremente. Mas, para quem deseja caminhar com explicações sobre fauna, flora e história do local, a empresa oferece visitas guiadas. Elas custam R$ 100 para grupos pequenos, de até cinco pessoas. “A experiência é muito importante, não acreditamos em grandes volumes de visitação”, diz Carlos.

Independentemente da escolha, guias ficam a postos em cada um dos oito monumentos do percurso (criados a mando do governador Washington Luís para celebrar o centenário da Independência, em 1922) para explicar sua história e tirar possíveis dúvidas.

A importância do trajeto é enorme, uma vez que foi por ali que D Pedro I passou antes de bradar “Independência ou Morte” no Riacho do Ipiranga. A rota também era utilizada para escoar a produção de café de São Paulo em direção ao litoral.

Mudanças
O plano de revitalização dos monumentos, que consiste em manter suas características originais, deve começar ainda este mês. “Queremos estar com tudo pronto para o bicentenário, o aniversário da Proclamação de Independência no 7 de setembro do ano que vem”, declara Carlos.

O projeto de acessibilidade nos monumentos está previsto para a partir do restauro. O uso dos locais, que hoje servem para simples contemplação e conhecimento, também pode ser mudado.

O Pouso do Paranapiacaba, por exemplo, deve voltar a ser um pequeno restaurante ou um café. “No meio do caminho, a gente não tem muita infraestrutura de água e energia. Estamos distribuindo trailers de alimentação ao longo da estrada com bebidas, café, sanduíches naturais, enfim”, explica.

É importante relembrar a importância de trazer de volta todo o lixo que você produzir na trilha. Como manda a cartilha do viajante consciente, não retire nada do lugar – nem mesmo uma florzinha ou muda de planta – e também não deixe nada.

Planos
Para o futuro, o passeio também contará com outros atrativos, como novas trilhas e investimento nos esportes aquáticos e radicais. A trilha da Cachoeira da Torre, um ponto de muita atratividade para os visitantes do litoral de São Paulo, especialmente para a prática de trekking, é uma das mais esperadas.

O ponto chamado de Tríplice Fronteira, que divide a estrada em três caminhos – sendo um o início do passeio, o outro para a Casa de Visitas (que será usada para eventos e palestras) e um último para uma estrada que parte de dentro da Calçada do Lorena -, ganhará um atrativo extra. Por ali passa o Rio das Pedras, no qual os visitantes poderão praticar esportes como caiaque e stand up paddle, por exemplo. O projeto também inclui uma tirolesa de aproximadamente 600 metros que atravessará o vale do Rio das Pedras até o primeiro monumento do passeio, o Pouso de Paranapiacaba.

A mudança permitirá que o visitante se refresque nos dias quente – apesar das cachoeiras do caminho, não é permitido se banhar nas águas – e transforme o passeio em algo maior do que as poucas horas de caminhada. Sempre garantindo a beleza e importância histórica e ambiental, pois apesar das novas atrações, o desmatamento está fora de cogitação.

Por enquanto, a entrada é realizada apenas por São Bernardo do Campo (Rodovia SP-148, Estrada Caminho do Mar, km 42). Por causa da pandemia, há monitoramento de temperatura de todos os visitantes na bilheteria e máscaras são exigidas em todo o passeio. No entanto, pelo fato de cada visitante seguir seu ritmo de passo, dificilmente aglomerações são formadas no trajeto.

Não é permitido entrar no parque com animais de estimação, bicicleta, skate, moto ou carrinho de rolimã em nenhum ponto do passeio. “A estrada deixa de ser utilizada como rodovia e tem um uso turístico”, coloca Carlos. Os únicos veículos autorizados que podem entrar são os traslados do parque, além de veículos de apoio de emergência da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), da Petrobras, Transpetro, uma vez que essa é uma rodovia de acesso para situações de emergência e manutenção corretiva.

Quanto a mim, não vejo a hora de voltar para a terceira visita, desta vez, com a tirolesa já em funcionamento para ter a visão das curvas de Santos não mais da estrada, mas sim de cima, e em alta velocidade – como se canta na música.

Serviço
Entrada por São Bernardo do Campo (Rodovia SP-148; Estrada Caminho do Mar, km 42). O parque funciona de qua. a dom., inclusive nos feriados, entre 8h e 17h. Os ingressos custam R$ 30 nos dias de semana e R$ 40 de sex. a dom. (inteira); Para crianças com menos de 3 anos a entrada é gratuita. Estacionamento a R$ 20; Compre em caminhosdomar.com.br .

Transporte
A viagem até o parque pode ser feita com transporte próprio ou traslados. Na Próxima Saída Viagens, por exemplo, a saída (R$ 170) dá direito a lanche, ingresso e transporte fretado de ida e volta. A saída é do metrô Vergueiro. A Arterra Turismo também faz o passeio por R$ 170 (viajantes com mais de 60 anos pagam R$ 150), preço que inclui kit lanche e fotografia profissional. No Aventura SP, o valor (R$ 156) inclui ingresso e parte do metrô Sumaré.

Destaques
Leve celular e máquina fotográfica carregados, mas vale também ter um carregador portátil para garantir. Atente-se para fauna e flora local. A sacada do Rancho da Maioridade é um dos bons pontos de observação. Já no Pouso Paranapiacaba, a janela pode servir de moldura.

O que levar
Coloque na mochila repelente, protetor solar, boné e óculos de sol. Água, lanche e um dinheiro para eventuais compras são importantes, assim como um saquinho para trazer de volta o lixo que produzir. Lembre-se de utilizar calçados e roupas confortáveis para caminhar. E, por precaução, leve um band-aid e antisséptico.

Foto: Núcleo Caminhos do Mar

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