Designer gráfico e produtor cultural de Nova Odessa ganha prêmio internacional

Pepê Ferreira integra campanha que faz alerta ao aquecimento global produzida pela agência África

Imagina participar de um grandioso projeto internacional, desenvolvido por uma das principais agências do país e com a importante mensagem de salvar o planeta do aquecimento global? Em março deste ano, tocou o telefone do designer gráfico e especialista em gestão de marcas, Pepê Ferreira, 31, e do outro lado da linha era um produtor com um convite muito especial: desenvolver a arte de um pôster para compor a Campanha Salla 2032 – Summer Games Candidate City, produzida pela agência África para House of Lapland que conquistou três Leões de ouro e três de bronze, além do Grand Prix do Cannes 2021.

 O trabalho promoveu a inusitada e fictícia candidatura da cidade de Salla, na Finlândia, acima do Círculo Polar Ártico, como sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 2032. O objetivo do manifesto era fazer um alerta chamando a atenção do público para uma região que sofre mais a cada ano com as consequências de um clima imprevisível e invernos mais curtos.

 “Minha reação foi quase de não acreditar, pois confesso nunca ter tido contato com o projeto, nem mesmo com pessoas envolvidas nele. Então foi uma grande surpresa e felicidade em ver esse reconhecimento e poder fazer parte desse grupo de artistas que expressaram sua arte para um assunto tão delicado que estamos vivendo, que é o do aquecimento global. A arte vem para provocar, questionar e chamar a atenção das pessoas para aquele tema”, explicou o designer, um dos 10 profissionais convidados a participar do projeto.

Pepê nasceu em Colina e aos 6 anos mudou-se para Nova Odessa. E há mais de uma década está envolvido na realização de eventos culturais na cidade. Um deles é a Parada Poética, que antes da pandemia, acontecia toda segunda, segunda-feira do mês, às 20h. O evento dá voz aos que anseiam expressar sua arte ou desabafar seus sentimentos.

Em 2020, sem a possibilidade de realizar eventos ou desenvolver qualquer tipo de projeto neste período, surgiu o Estúdio Preto, nome que intitula a vontade de expressar as ideias, sentimentos e provocações sociais através da palavra artística.

 “Muito dessa palavra artística vem da rua, do pixo, do grafite, formato que há muito tempo expressa essa voz da rua, das minorias, juntamente com o design, tipografia, cor, música, que é a minha paixão. Então, se tratando de Estúdio Preto, acredito que a representação artística vem com o intuito de chocar, de provocar e mostrar que o “marginal” é arte, tem seu valor e acima de tudo é uma expressão artística, cheia de significados e legitimidade. Além de expressar minha opinião, posicionamento e sentimentos através dela”, reforçou Pepê.

 E a soma de toda a sua obra resultou neste convite para participar do projeto internacionalmente reconhecido e premiado. “A importância ao meu ver é muito grande, independente de quem esteja a frente dessa causa como difusor de informação, pois como sabemos, é um assunto de extrema importância e que pode mudar o rumo do planeta. Se tratando de artistas, acredito que com a força da arte e da expressão visual, conseguimos tangibilizar e dar uma atenção diferente ao assunto, mais lúdico, porém impactante”, concluiu Ferreira.