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Conheça Fernanda Meneghel, a mulher por trás do Rosa do Bem

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Na entrevista, a empresária conta um pouco de toda a rede de apoio que oferece às mulheres com câncer e de personagens marcantes em sua jornada

Nessa semana conversamos com Fernanda Meneghel, empresária responsável pelo Rosa do Bem, campanha voltada para a prevenção, diagnóstico e tratamento de mulheres com câncer na cidade de Americana. Na entrevista, Fernanda nos contou um pouco de sua trajetória e de todo o trabalho que desenvolve no Rosa do Bem.

O projeto é realizado totalmente com recursos de sua empresa. Fernanda Meneghel acompanha e custeia o tratamento de várias mulheres cujo diagnóstico foi positivo para a doença, oferecendo toda uma rede de apoio pessoal e emocional para elas. Confira a entrevista!

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O que é e como surgiu o Rosa do Bem?
Eu tinha sete anos quando nós viemos para Americana. Viemos de São Paulo para Americana. Meu pai havia sido convidado para trabalhar em uma empresa e minha mãe para trabalhar na Rede Feminina de Combate ao Câncer de Americana. Minha mãe foi voluntária na Rede por muitos anos, fazia um trabalho lindo e eu sempre a acompanhei desde pequena nesse trabalho.

Naquela época não se falava em câncer. Não se falava nem o nome da doença porque se você falasse a palavra já predizia morte. As pessoas, quando eram diagnosticadas, não se salvavam. Na verdade, elas tinham uma sobrevida. Às vezes os medicamentos amenizavam um pouco a dor, prolongavam um pouco a vida, mas fatidicamente elas morriam, não se salvavam.

Depois de adulta eu fui convidada para participar do Núcleo de Prevenção ao Câncer, que foi uma entidade que existiu durante dez anos. A gente fazia campanha de prevenção, foi um trabalho super bacana, super legal. Nós fazíamos somente os preventivos, as campanhas de prevenção de vários tipos de câncer. Foi bem legal o tempo em que essa entidade existiu.

Nesse tempo, eu conheci o Hospital de Barretos e conheci a Creuza, que fazia a prevenção. Ela pegava uma bicicletinha, colocava uma maca em cima dela e se dirigia às casas das pessoas e fazia os preventivos. Conheci a história dela, uma história linda! Vi também nesse tempo que as estatísticas falavam: “Olha, aquele câncer que não tinha cura, caso ele seja diagnosticado no início ele tem cura, sim!”. E então eu comecei a pesquisar muito. Pensei: Gente, olha só. Se tem cura, a gente tem que trabalhar com essa informação, a gente tem que fazer isso acontecer, fazer as pessoas terem acesso a essa informação”.

Eu queria muito fazer alguma coisa. Eu casei aqui, meu filho é de Americana, minha família é de Americana, eu devo muito a essa cidade, eu gosto muito da cidade. Eu sempre disse que prosperaria nos meus negócios para realizar algo pela cidade e foi isso. O Rosa do Bem é fomentado pela minha empresa, ele existe o ano inteiro.

O Rosa do Bem é feito totalmente com recursos da sua empresa?
É tudo recurso próprio, da minha empresa. Não tenho recurso federal, não tenho recurso de governo nenhum. O Rosa do Bem existe todos os dias do ano com recurso da minha empresa. A Di Grecco realiza doações para o Rosa do Bem e o Rosa do Bem faz seus pagamentos.

Eu custeio a pousada lá de Barretos para as meninas quando elas precisam. Hoje a gente tem também a parte de psicologia e toda uma estrutura para as mulheres que precisam custeada pelo Rosa do Bem. Tudo isso é possível de realizar através das doações da minha empresa. E eu faço isso com muito orgulho, com muito prazer porque era isso que eu sempre quis fazer. Eu queria prosperar para conseguir fazer algo pelo próximo.

Como se deu o desenvolvimento do Rosa do Bem, já que hoje vocês oferecem mais do que exames preventivos?
Até 2015 a gente realizava só exames preventivos de mamografia. Trazia a carreta, realizava os exames preventivos e parava aí. Até então, eu achava que era suficiente porque depois da realização dos exames preventivos as pessoas iam para a rede pública.

No entanto, em novembro de 2015 eu recebi uma ligação que mudou todo esse cenário. O marido de uma mulher que tinha realizado a mamografia naquele ano me ligou e perguntou: “Você é a Maria Fernanda?” Eu confirmei que sim. Em seguida ele perguntou: “Então é você que faz a Campanha do Outubro Rosa?”. Respondi que sim. Nisso ele respondeu: “Então foi você que deixou meu novembro negro!”.

Eu perguntei como eu poderia ter feito isso. Ele explicou que a esposa havia feito o exame na carreta e que nela havia aparecido algo que ela deveria investigar, mas que o acompanhamento foi marcado somente para abril. Ele disse que, por conta de tudo isso, a mulher estava em depressão, pegou as malas dela e foi embora, que ela o deixou e que foi para casa da mãe dela a 400 km daqui de Americana. Finalizou a ligação dizendo que eu tinha que resolver essa situação.

Nisso, eu tentei ligar para todos os setores públicos para ver o que tinha acontecido. Foi aí que eu vi que não era somente o caso dela, mas que haviam muitos outros que não estavam tendo encaminhamento. Nessa hora, eu decidi que era preciso fazer alguma coisa. Resolvi fazer tudo no particular, paguei todos os exames particulares para todas as mulheres que realizaram a mamografia na carreta naquele ano cujo exame havia detectado algo. Quando chegou a parte do tratamento, eu fui ao hospital e consegui encaminhar as pacientes para o tratamento.

Então eu liguei para a Tânia (a mulher que havia abandonado tudo) e a convenci a voltar. Hoje ela é uma amiga querida. Eu falo que foi a partir do momento que recebi aquele telefonema sobre ela que resolvi mudar a campanha e ter um outro olhar. Eu pensei: se eu for continuar com a campanha, vou ter que cuidar do começo, meio e fim.

A partir disso o que mudou no Rosa do Bem?
Foi a partir de tudo o que ocorreu em 2015 que eu percebi que eu tinha que ter um olhar diferente para a campanha, um olhar para o todo. Por isso, em 2016 eu pedi ajuda para o Henrique Prata (presidente do Hospital de Amor). Falei para ele que eu queria fazer mil exames e que gostaria de realizar todo o acompanhamento, desde os exames complementares até o tratamento. Ele disse que eu podia contar com ele. Foi aí que o Rosa do Bem conseguiu fazer essa parceria com o Hospital do Amor.

E como ocorreu todo esse acompanhamento em 2016?
A primeira pessoa diagnosticada em 2016 foi a Edna. Eu falo que foi a minha primeira flor. A Edna foi para Barretos. Americana já tinha uma casa de apoio, mas a Edna veio falar comigo porque embora a casa de apoio fosse boa, ela só contava com dois quartos e um banheiro e não tinha funcionários. Ela disse que queria muito um lugar onde ela pudesse ficar quietinha, principalmente naquele momento em que estava fazendo quimioterapia e radioterapia. Ela queria não precisar ficar dividir o banheiro, queria um momento que fosse só dela. Falei para ela procurar um lugar que ela gostasse, que eu pagaria para ela. Nisso, ela encontrou a pousada João Freire XVI, em Barretos, que é uma pousada em que proprietária Sandra recebe todos com muito amor e carinho, faz um bom café da manhã e por isso é muito especial.

A partir daí, todas as vezes que as meninas precisam ficar em Barretos de um dia para o outro ou mesmo realizar procedimentos de quimioterapia ou radioterapia, elas ficam lá na pousada. Todas as estadias são custeadas pelo Rosa do Bem.

A iluminação da Avenida Brasil também é uma ação do Rosa do Bem?
Tem gente que pensa que a iluminação é pública, mas é preciso deixar claro que embora a iluminação seja pública, a gelatina ali instalada foi confeccionada pelo meu marido há muitos anos. A armação daquela gelatina… Todos os anos eu compro a gelatina, troco na minha fábrica, compro a haste que a prende no holofote, deixo tudo certo e organizado e apenas entrego para a prefeitura. Eu não dou um centavo de gasto para a prefeitura. Pelo contrário, eu quero ajudar no que eu puder. Parece que não é nada, mas a avenida custa R$ 7 mil para a gente anualmente.

De qualquer forma, nós realizamos essa ação todos os anos com muito carinho.

Como será realizada a campanha do Rosa do Bem este ano?
Esse ano eu vou abrir o agendamento no final da próxima semana e a carreta virá somente em novembro, porque algumas estão em manutenção e outras já estavam comprometidas.

A campanha será realizada como nos anos anteriores. Fez a mamografia, foi detectado algo que precisa ser investigado?! A partir daí, pelo Rosa do Bem, eu acerto o transporte que leva até Campinas. Esse grupo de mulheres realizam os exames necessários lá. Se algo for diagnosticado, essas mulheres já estarão com os tratamentos sendo acompanhados diretamente pelo Hospital de Amor. Às vezes ocorre do próprio hospital passar para o Mário Gatti ou transferir para algum outro local, mas essas mulheres têm sempre acompanhamento.

Como foi o período de pandemia para o Rosa do Bem?
Nós temos um WhatsApp com contato diário. Lá a gente coloca nossas alegrias, nossas tristezas. No ano passado, eu até consegui me encontrar com elas. Quando foi em setembro, nós já estávamos com muita saudade. Por isso, eu tive uma ideia. Comprei capas de chuva e reuni elas na minha fábrica. Ninguém esperava, estávamos todas com muita saudade de abraçarmos umas as outras. Fiz uma palestra para elas, a gente conversou, cada uma separadinha uma da outra e com máscara. Nisso, eu entreguei uma capa de chuva para cada uma, colocamos a capa ao contrário, com o capuz para frente e nos abraçamos. Foi maravilhoso! Todo mundo podendo se abraçar. A gente se abraçou muito com aquela capa de chuva.

Teve alguma história que te marcou nesse período?
Eu passei por alguns momentos que foram desafiadores porque eu tinha uma paciente chamada Lízia que não foi diagnosticada pela campanha. A Lízia apareceu quando eu estava na minha fábrica fazendo a campanha em 2019. Quando eu a vi, ela era bem magrinha, o câncer dela estava visível, eu nunca tinha visto nada assim a olho nu.

Ela tinha sido diagnosticada com o câncer avançado, mas estava sem encaminhamento. Foi um desafio, mas eu abracei o caso dela. Coloquei ela no nosso grupo do Rosa do Bem. Quando ela chegou ao hospital, o hospital já alertou que era um caso muito difícil, pois o câncer dela estava muito avançado. Foi naquele momento que informaram que ela teria apenas mais um ano de vida. Foi muito difícil para ela e muito difícil para mim também.

No final do ano passado ela estava em Barretos, enfrentando um momento muito difícil, de finalzinho mesmo, de velinha com chama apagando. Eu pedi para ela me contar o que ela queria, o que ela ainda tinha vontade de fazer. Ela respondeu que queria comer cachorro quente, que queria encontrar com as meninas do Rosa do Bem e comer cachorro quente.

Meu marido ajudou na preparação, cozinhou as salsichas, os amigos nossos do Beppo fizeram o molho e aí nos reunimos na Basílica de Americana (respeitando todos os protocolos, é claro). E aí organizamos esse encontro para comermos o cachorro quente que ela tanto queria junto com o grupo. Foi um momento muito feliz.

E, eu… Eu sempre fiz a campanha com o objetivo de diagnosticar e curar, diagnosticar e curar. Por isso, naquele momento não era nem pela campanha. Ela já tinha aparecido para mim daquela forma, Deus colocou ela na minha vida daquela forma e eu não sabia lidar com aquela situação de perda! Foi muito difícil, mas na verdade foi de muito amor também. Eu aprendi muito com ela.

Eu abri a campanha deste ano com um áudio que ela gravou. Ela fez vários áudios para esta campanha mesmo sabendo que ela não estaria mais aqui. Nos áudios ela fala para as pessoas fazerem o que ela não fez, pois ela não teve tempo. Ela queria que os outros realmente não perdessem a oportunidade.

Quando ela faleceu?
No começo deste ano, em fevereiro de 2021. Ela levava essa mensagem, porque ela sabia que não estaria mais aqui, ela era inteligentíssima. Ela dizia: “Eu não tive a sorte de ser diagnosticada no início, não tive a sorte de ter o tratamento logo no início. Então, por favor, façam os exames, estejam atentas com a saúde”.

Você já passou por isso com algum familiar?
Não foi com câncer de mama, mas minha mãe teve um câncer no sangue há cerca de cinco anos e foi um câncer que foi desafiador também. Eu falo muito da alimentação e falo muito da gente ter o otimismo, da gente ter vontade de viver, que isso faz muita diferença, as nossas células reagem com isso. Minha mãe naquela hora estava com câncer e ao mesmo tempo foi descoberta uma hepatite C crônica, o que significava que a minha mãe não poderia passar pelo tratamento. Ela não poderia fazer quimioterapia porque ela já não tinha fígado. Por isso, a gente teve que usar na prática tudo o que até então eu falava nas palestras.

Utilizamos a alimentação saudável, a cabeça boa, dar muita risada, se divertir, procuramos nos cercar de coisas que só nos faziam bem. Minha mãe ficou um ano e meio vivendo assim. O câncer ficou paralisado. Nesse período o fígado ficou bom e com isso ela conseguiu fazer a quimioterapia e se curou.

É o que eu sempre falo, tem que ter o tratamento, mas também tem que ter a atitude positiva, hábitos saudáveis. A gente tem que saber se aquilo com que a gente se alimenta realmente faz bem para o nosso corpo. Se você se alimenta com coisas que inflamam, que intoxicam, isso não fará bem, não vai ajudar.

Apenas mulheres de Americana podem participar do Rosa do Bem?
Sim, apenas quem é de Americana. O que acontece é que eu estou acompanhando todos os casos, então às vezes é necessário transporte, às vezes a questão da pousada, são coisas que acontecem que tem como eu acompanhar de perto. Hoje, o transporte para Barretos está super em ordem, mas já aconteceu de eu precisar alinhar com a Secretaria de Transporte. Então é algo que eu tenho que acompanhar de perto. Por isso, eu não consigo fazer isso com outra cidade.

Eu costumo dizer que eu tenho tempo com a minha família, tempo com a minha empresa que eu amo também e tempo com o Rosa do Bem. Então, para eu fazer esse projeto bem feito tem que ser aqui no âmbito que eu possa realizar, que eu possa estar por perto.

A caminhada é aberta para todos que quiserem participar?
A caminhada é aberta para todos. Inclusive, essa semana eu fiquei tão feliz porque eu vi que uma pessoa fez uma festa de aniversário em São Paulo com a temática Rosa do Bem e pediu para que todo mundo fosse com a camiseta. Foi tão lindo!

Aproveitando, eu quero destacar aqui que durante esse mês nós lançamos também uma campanha nas redes sociais para estimular as pessoas a terem atitudes saudáveis e publicarem isso. Comeu uma comida saudável, fez uma caminhada, praticou atividade física, poste nas redes sociais e use a #rosadobem que nós iremos compartilhar.

Em 2020 o Rosa do Bem se tornou um Instituto, o que mudou com isso?
Na verdade o que mudou foi que eu consegui fazer parcerias. A FAM, por exemplo, é uma parceira maravilhosa que a gente tem. As meninas passam pela nutricionista, pela psicóloga, tem também a parte de coordenação motora. Então, agora que o Rosa do Bem se tornou um Instituto, eu consigo fazer esses tipos de parcerias que não envolvem dinheiro, mas que envolvem ações que fazem bem para as meninas.

Para a caminhada, por exemplo, eu sempre peço parceiros. Eu tenho um custo muito alto para fazer as camisetas, um custo muito alto para o carro de som, enfim, um custo muito alto para organizar a caminhada.

Qual mensagem você deixa para esse Outubro Rosa?
Quando a luz rosa acende na avenida é o sinal de que acendemos uma luzinha de amor, de amor à vida. A mulher hoje é o grande alicerce da família. Ela é um grande alicerce da sociedade. A gente precisa realmente cuidar da gente, do nosso coração, da nossa saúde. Se a gente está bem, tudo em volta estará bem!

É muito importante termos esse amor à vida e olharmos para nós mesmas. Desejo que todas nós estejamos juntas neste mês, como em todos os outros. Que no dia 24 (dia que ocorre a caminhada) estejamos todas unidas, não só as mulheres, mas também as famílias, caminhando pela saúde, caminhando pelo amor, pelos cuidados.

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