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Estado confirma 136 casos e 11 mortes de crianças por síndrome pós-covid

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Via: ACidadeON.

A estudante Ana Clara, de 13 anos, foi cremada no dia 25 de fevereiro (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
A Secretaria Estadual de Saúde confirmou nesta quarta-feira (10) que 136 crianças já registraram a chamada Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica pós covid. A doença foi a responsável pela morte de uma estudante de 13 anos em Campinas.

Segundo o Estado, 11 óbitos já aconteceram em São Paulo por causa da síndrome. Do total de casos, 24 aconteceram neste ano.

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De acordo com o levantamento divulgado, a faixa etária de zero a menores de 10 anos responde por 72% dos casos e 36% dos óbitos. Já o restante foram registrados em crianças e jovens de 10 até 19 anos.

ENTENDA O QUE É

A infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia Raquel Stucchi explicou ao ACidade ON Campinas, que a síndrome multissêmica pós-covid é uma complicação decorrente da infecção pelo novo coronavírus.

Segundo Raquel, a síndrome se caracteriza, principalmente, por inflamações da parede dos vasos sanguíneos de órgãos como rins, articulações, sistema nervoso central e vias respiratórias.

“A síndrome é um processo inflamatório descontrolado, que acaba acometendo vários órgãos, e tem relação com a pessoa ter tido a covid semanas antes. É uma síndrome que, por definição, pode acometer pessoas de zero a 19 anos. No caso da menina de 13 anos, em Campinas, o diagnóstico aponta para a síndrome”

De acordo com a especialista, esse diagnóstico baseia-se na presença de sinais e sintomas clínicos inespecífico que devem ser avaliados dentro do contexto epidemiológico e excluída outras causas. Em alguns casos, a síndrome pode levar à morte.

“Determinadas pessoas depois de entrar em contato com o vírus, e por razões que a gente não sabe, produz muitos anticorpos e uma quantidade muito grande de células inflamatórias que vão atacar diversos órgãos, como coração e rins, ocasionado falência múltipla de órgãos, podendo evoluir para óbito, como foi o caso da adolescente”, explicou.

O CASO E COMPLICAÇÕES COM OBESIDADE

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No caso de Ana Clara, o atestado de óbito detalha que ela teve um choque séptico, insuficiência renal aguda, síndrome inflamatória multissistêmica e infecção por covid-19. Além disso, a adolescente também estava obesa, fator apontado como um dos mais críticos para o agravamento da infecção do coronavírus.

No entanto, segundo o pai de Ana Clara, Paulo César dos Santos, de 50 anos, a filha não tinha problemas para respirar, como falta de ar, ou se locomover por conta da obesidade. Ele considera que ela estava saudável antes de sentir uma cólica abdominal e ser levada para o hospital.

“A situação piorou por conta do coronavírus. As pessoas podem achar que ela morreu por causa da obesidade, mas não foi isso”, disse ele. Santos afirmou ainda que não culpa a escola do ocorrido, mas que também não descarta a possibilidade de ela ter se contaminado no local. A menina chegou a frequentar um dia de aula presencial em 16 de fevereiro. “Não acreditamos que ela tenha pegado na escola, mas não descartamos a possiblidade. Ela estava em sala de aula apenas um dia. Mas não culpamos ninguém”, disse.

Segundo Raquel, as literaturas médicas já apontavam que crianças com comorbidades teriam maior risco de ter uma síndrome inflamatória multissitêmica mais grave.

“A obesidade, por exemplo, é um fator de risco para doenças mais graves de covid. Neste momento, temos visto jovens obesos sendo internados com mais frequência”, disse.

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DIAGNÓSTICO

Conforme a OMS (Organização Mundial de Saúde), a síndrome envolve, pelo menos, dois órgãos e sistemas. Destacam-se as seguintes manifestações:

  • Febre elevada (maior que 38°C) e persistente (por 3 dias ou mais) em pacientes com idade até 19 anos;
  • Pelo menos duas das seguintes manifestações clínicas: conjuntivite não purulenta ou lesão cutânea bilateral ou sinais de inflamação mucocutânea (oral, mãos ou pés), hipotensão arterial ou choque, manifestações de disfunção miocárdica, pericardite, valvulite ou alterações coronarianas (englobando achados no ecocardiograma ou aumento de Troponina ou NT-proBNP), indícios de coagulopatia (TP, TTPa ou D-dímero aumentados), manifestações gastrointestinais agudas (diarreia, vômito ou dor abdominal);
  • Aumento de marcadores inflamatórios (VHS, PCR ou procalcitonina, entre outros);
  • Tendo sido afastadas quaisquer outras causas de origem infecciosa e inflamatória (como sepse bacteriana, síndromes de choque estafilocócico ou estreptocócico);
  • Evidência de Covid-19 (através de biologia molecular, teste antigênico ou sorológico positivos) ou história de contato com caso da infecção.
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