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Manuela Possente: Uso de máscara e agravamento de lesões na face

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Durante a pandemia causada pela covid-19, o uso de máscaras facial se tornou obrigatório por lei com intuito de diminuir a dispersão de gotículas durante a fala, espirro e tosse e a transmissibilidade do vírus. Apesar de se tratar de uma medida necessária, o uso prolongado de máscaras tem desencadeado e agravado diversas patologias na face como acne, rosácea, dermatite seborreica e dermatite perioral.

Doenças inflamatórias crônicas da face têm uma prevalência variável, sendo a acne muito mais prevalente. Possuem uma etiopatogenia complexa com muitos fatores desencadeantes e agravantes, como estresse, alimentação, dieta, obesidade e cuidados com a pele. Também há relação com o microbioma e alterações na barreira cutânea.

A localização das lesões destas doenças citadas acima, coincidem com a área de uso da mascara que é obrigatória.

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Estudos recentes realizados na China demonstraram que dentre os pacientes com dermatite seborreica, cerca de 37% relataram piora. Já em pacientes com quadros de acne a piora foi de 43%, enquanto para a rosácea houve uma piora de 100% dos casos. Podemos concluir a partir deste estudo que nem todos os casos revelaram uma piora da dermatose facial com o uso da máscara. Já outro estudo, que comparou a acne com a rosácea, demonstrou piora em ambos os casos após 6 semanas de uso de máscara, mostrando um impacto na qualidade de vida. Outro estudo do Nepal, que avaliou o cuidado com a pele durante a pandemia demonstrou que 66% das mulheres não cuidavam da pele, cabelos e unhas como antes. Cerca de 68,8% sentiam-se mal, 50% teve uma perda da auto satisfação.

Em relação ao microbioma, sabemos que ele está envolvido nestas doenças, e a face tornou-se uma nova área de atrito com uso da máscara, causando uma fricção quando é mais aderente à pele e favorecendo a irritação, além do aumento de temperatura e retenção de suor que também favorece a piora da disbiose que já existe nestas doenças.

O termo “maskne” tem aparecido muito nas redes sociais, e também já aparece na literatura, porém se leva mais em consideração o fator de fricção para desencadeamento da acne, que geralmente ocorre 6 semanas após uso da máscara, com maior intensidade das lesões na área da máscara.

Um outro estudo avaliou a prevalência de acne em médicos e enfermeiros que usavam a máscara N95 ou cirúrgica de forma continua por mais de 4 horas diariamente por um tempo de oito semanas. A conclusão foi que houve uma piora relacionada ao tempo de uso daqueles profissionais que usavam a máscara N95.

Já existem autores que descrevem o uso de uma máscara ideal, que não possua nenhum componente metálico, de tamanho único e mostrando algumas perspectivas de máscaras biofuncionais, ou seja, com ativos como por exemplo o filtro solar e ativos para acne incorporados na máscara.

Na minha opinião a máscara não deve ser o único fator de piora, uma vez que inúmeros outros fatores agravantes estão envolvidos, como a diminuição dos cuidados durante a pandemia, o tipo de máscara usado, e o tempo de uso maior que 4 horas por dia. É importante lembrar que as japonesas sempre usaram máscaras, assim como as muçulmanas escondem toda a face e nunca foi relatado piora destas doenças anteriormente à pandemia.

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