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O que é a ‘doença da urina preta’ que está causando um surto no Amazonas?

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Enfermidade gera rigidez muscular e tem como causa a ingestão de certos peixes, mariscos e crustáceos

O estado do Amazonas registrou até o momento 78 casos da ‘doença da urina preta’, cientificamente conhecida como Síndrome de Haff. Mas o que é essa doença, o que ela causa e como ela é contraída?

Ela se constitui em um tipo de rabdomiólise, nome dado para designar uma síndrome que gera a destruição de fibras musculares esqueléticas e libera elementos de dentro das fibras (como eletrólitos, mioglobinas e proteínas) no sangue.

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A doença de Haff gera uma rigidez muscular. Além disso, frequentemente ocorre como consequência o aparecimento de uma urina escura em função da insuficiência renal, razão pela qual essa expressão é utilizada para se referir à enfermidade.

Entre os sintomas que a doença causa estão rigidez muscular de forma repentina, dormência no corpo, dores no peito e na cabeça, fadiga e a  urina cor de café. Esses sinais podem se manifestar 24 horas após o consumo de peixe cozido, lagostim e outros frutos do mar contaminados.

A dificuldade está no fato de que a toxina não tem nem gosto nem cheiro específicos, o que torna mais complexa a sua percepção. Ela também não é eliminada pelo processo de cocção do peixe.

O médico clínico Marcos Pontes diz que durante o tratamento, a hidratação é fundamental, mas que não existe ainda um medicamento especifico para tratar a doença. O especialista também alerta que a doença deve ser tratada de forma correta, pois o paciente corre risco de morte.

O nome foi dado em razão da descoberta da doença em um lago chamado Frisches Haff, na região de Koningsberg em 1924. O território, à beira do Mar Báltico, pertencia à Alemanha, mas foi incorporado à Rússia posteriormente, constituindo um enclave entre a Polônia e a Lituânia.

Nos relatos registrados ao longo dos anos, pessoas acometidas da doença ingeriram diferentes tipos de peixe, como salmão, pacu-manteiga, pirapitinga, tambaqui, e de diversas famílias, como Cambaridae e Parastacidae.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento orienta a população a comprar peixes, mariscos e crustáceos somente com o selo dos órgãos de inspeção oficiais, pois pelo carimbo que esses produtos possuem é possível rastrear a origem, o que os torna seguros.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

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