Uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR), indicou resultados promissores no tratamento de pacientes com Alzheimer a partir do uso de cannabis medicinal.
O ensaio clínico acompanhou 28 voluntários com idades entre 60 e 80 anos durante 26 semanas, em um modelo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo — considerado o padrão mais rigoroso para pesquisas científicas.
Parte dos participantes recebeu um extrato full spectrum contendo 0,350 mg de THC (tetrahidrocanabinol) e 0,245 mg de CBD (canabidiol), enquanto o restante utilizou placebo. Ao final do período, os pacientes que fizeram uso do extrato apresentaram melhora nas funções cognitivas, especialmente na memória, medida por testes clínicos como o Mini-Exame do Estado Mental (MMSE).
Segundo os pesquisadores, além do ganho cognitivo, houve redução de sintomas e indícios de evolução mais lenta da doença em comparação ao grupo controle. O estudo também não registrou efeitos adversos significativos, indicando segurança no uso em baixas doses.
Publicado no Journal of Alzheimer’s Disease, o trabalho é considerado o mais longo já realizado no mundo com canabinoides em pacientes com Alzheimer e o primeiro ensaio clínico a demonstrar melhora direta da memória associada ao tratamento.






