Professores da rede estadual anunciam greve contra aplicativos em sala de aula

Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que trabalha as plataformas digitais como recursos tecnológicos agregadores na produção pedagógica desenvolvida em sala de aula e que, ‘de maneira alguma, elas substituem o trabalho do professor’.

Professores da rede estadual de ensino anunciaram greve às plataformas digitais no período de 13 a 19 de maio em todas as escolas da rede estadual de ensino, boicotando o uso desses instrumentos. A decisão foi tomada em assembleia promovida pela Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), na semana passada, na Praça da República, em frente à Secretaria Estadual da Educação. Segundo a entidade, o ato reuniu mais de dez mil professores de diversas regiões do Estado Uma nova  assembleia ficou marcada para 24 de maio, para deliberar pela deflagração de uma greve geral da categoria, caso o governo estadual não atenda às reivindicações da categoria. 

A assembleia vai acontecer na avenida Paulista, em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo) com caminhada até a Secretaria Estadual da Educação. A orientação da Apeoesp é para que seja ampliada ainda mais a mobilização da categoria. A segunda presidente da Apeoesp e deputada estadual Professora Bebel (PT), disse que a greve contra as plataformas digitais é uma resposta da categoria aos ataques do governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do secretário estadual da Educação, Renato Feder, aos professores, ao magistério e à educação pública.

“Exigimos respeito à profissão docente e aos direitos dos estudantes. As tecnologias são instrumento auxiliar do processo educativo e não podem substituir os professores. Portanto, estamos orientando os professores a fortalecer esse movimento em cada escola do nosso

Estado. Vamos, todos juntos, dar um sonoro não à opressão das plataformas digitais”, disse a presidente.

De acordo com a Professora Bebel, ‘a Secretaria Estadual da Educação vem aprofundando o processo de opressão sobre professores e estudantes, por meio de plataformas digitais e outros mecanismos que visam vigiar e controlar os professores e esvaziar o processo

educativo’. “A última medida anunciada é a intenção de uso da Inteligência Artificial para elaborar aulas, corrigir redações, provas e trabalhos, com a pretensão absurda de tentar substituir os professores”, afirmou.

“Já havíamos questionado judicialmente, de forma contundente, a exigência de vídeo-aula no concurso realizado pela Seduc/Vunesp e a sua correção por Inteligência Artificial. Esse uso indevido causou a eliminação de milhares de professores no concurso e nossa ação prossegue, em defesa da equidade e da justiça no concurso. Nossa categoria não aceita o uso indevido e opressivo das plataformas digitais e temos apoio dos estudantes, movimentos sociais e outros segmentos”, destacou.

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que trabalha as plataformas digitais como recursos tecnológicos agregadores na produção pedagógica desenvolvida em sala de aula e  que, ‘de maneira alguma, elas substituem o trabalho do professor’. 

“Todos os recursos oferecidos pela Seduc-SP têm o objetivo de aprimorar as habilidades dos estudantes e o avanço dos índices educacionais de São Paulo”, afirmou a pasta.

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