Quem já foi adolescente sabe: estamos propensos a fazer besteira a qualquer momento, fato. Mas é o tamanho da imprudência que precisa ser medido. Na pré-adolescência, muitos de nós fizemos coisas impensadas, brincadeiras sem noção, atitudes imaturas que hoje soam absurdas. Era uma fase de pouca consciência, muito impulso e quase nenhum filtro. Enfim, erros e excessos sempre fizeram parte do processo de amadurecimento e da formação do caráter.
Estou falando de uma pré-adolescência de muitas décadas atrás. Hoje, a realidade é outra. A meninada aprendeu, felizmente, a respeitar e a cuidar mais dos animais. Por isso, quando nos deparamos com um fato como o do cãozinho Orelha, a indignação é inevitável. O excesso quase sempre está na raiz das piores tragédias. No caso do Orelha, qualquer tipo de agressão já seria um exagero. Tratava-se de um cachorro idoso, dócil, querido pela comunidade.
Adolescentes não são ingênuos. Eles conhecem limites, entendem consequências e têm acesso a um volume imenso de informação. Diferente de outras gerações, hoje eles convivem com redes sociais, referências globais e um mundo conectado o tempo todo. Isso exige ainda mais responsabilidade. No passado, nossas referências eram mais simples, mas havia algo muito presente: o receio de ultrapassar limites e ter que responder por isso diante dos pais.
Será que esses garotos da Praia Brava tinham esse medo? Esse respeito?
Criar e moldar filhos não é só prover, dar estudo e oferecer o melhor. Excesso de permissividade também prejudica. Saber seu lugar e seus limites precisa ser bem explicado à criança desde o berço. Todos os pais que conheci que batiam no peito dizendo “meu filho é foda!” acabaram criando porcarias irresponsáveis. Deixe para o mundo dizer que seu filho é bom. Mostre a ele os dois lados da moeda, o lado A e o lado B do disco. Seja chato, mas não seja omisso.
Sinto muita pena das famílias envolvidas no caso do Orelha. Garotos marcados para sempre por um excesso juvenil que talvez pudesse ter sido evitado com um bom puxão de orelha.






