Figueiredo Sobral e Quina: A conexão luso-brasileira na arte de Americana

Uma história de um talentoso casal de artistas que encontrou lar e legado no interior de São Paulo

Nascido em Lisboa, Portugal, no ano de 1926, Figueiredo Sobral emergiu como um dos artistas mais notáveis da sua época, deixando um impacto profundo na cidade  de Americana, que comemora agora seu 148º aniversário. Figueiredo, um talentoso escultor, junto com sua esposa Quina, também artista plástica, encontrou um lar e uma oportunidade de prosperar na efervescente cidade industrial.

A trajetória de Figueiredo Sobral é uma história de busca por estabilidade em meio à turbulência política e de conexões que moldaram um novo capítulo artístico em sua vida. Ele estudou artes gráficas na Escola de Artes Antônio Airoró em Lisboa e foi co-fundador da Revista Minotauro. O casal deixou Portugal durante um período de instabilidade política e, atraídos pelo Brasil, estabeleceram-se inicialmente no Rio de Janeiro, mas logo depois partiram para São Paulo e, em um curto espaço de tempo, à região do interior.

Em 1975, Figueiredo, Quina e seu filho Marco Sobrall encontraram sua morada em Americana. Escolheram a cidade em virtude de sua condição como um polo de tecelagem, já que Quina realizava telas a partir de tecidos, tendo inclusive criado uma série de obras com tapeçarias de bonecas. A chegada da família foi marcada por uma abordagem imersiva à vida e à cultura local, especialmente na Praia dos Namorados, que servia como ponto de encontro e socialização. “Eu achava incrível o fato de meus pais conseguirem em tão pouco tempo criar relacionamentos profundos”, afirma Marco Sobrall, filho do casal.

Uma das contribuições mais marcantes de Figueiredo Sobral para Americana é a escultura icônica localizada na entrada da cidade, um convite feito pelo prefeito Ralph Biasi. Inaugurada em 1978, a escultura se tornou um símbolo da cidade. No entanto, os anos não passaram despercebidos pela escultura, e seu filho, Marco Sobrall, expressou a necessidade de uma restauração para preservar o legado artístico de seu pai.

A interação enriquecedora do casal com a comunidade artística local contribuiu para a dinâmica cultural de Americana. Quina, com sua habilidade pictórica singular, e Figueiredo, com suas esculturas impactantes, não apenas embelezaram a cidade, mas também estimularam o cenário artístico regional. Eles participaram regularmente dos salões de arte em cidades como Limeira, Rio Claro, Araras, Ribeirão Preto e Piracicaba, sendo frequentemente agraciados com prêmios.

Além de suas contribuições locais, Figueiredo Sobral também deixou uma marca internacional duradoura. Suas obras encontram-se em acervos renomados, como o Museu de Belas Artes de Boston, além de coleções particulares em cidades como Paris, Bruxelas, Toulon, Chicago e Antuérpia. Seu legado transcende fronteiras e culturas, tornando-o um embaixador da arte brasileira. “Meu pai não era só criativo. Era criador”, aponta Marco Sobrall.

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