Um exame de sangue capaz de detectar sinais associados a mais de 50 tipos de câncer conseguiu identificar corretamente a provável origem da doença em 91,3% dos casos, segundo resultados publicados nesta terça-feira (22) na revista científica Nature Medicine.
O estudo avaliou o desempenho do chamado Galleri, um teste de detecção precoce de múltiplos tipos de câncer desenvolvido pela empresa americana GRAIL. A tecnologia analisa fragmentos de DNA livre circulante no sangue e utiliza um algoritmo de aprendizado de máquina para identificar alterações associadas à presença de tumores e indicar o órgão ou sistema de provável origem.
Os novos resultados fazem parte do estudo PATHFINDER 2, que acompanhou 35.878 pessoas com 50 anos ou mais, sem suspeita clínica de câncer no momento da inclusão. Entre os 32.007 participantes considerados na análise de desempenho, 0,54% tiveram um câncer posteriormente confirmado após o teste.
Além da precisão de 91,3% na indicação da origem do sinal, o exame apresentou especificidade de 99,64%. Isso significa que a grande maioria das pessoas que não tinham câncer recebeu resultado negativo. O chamado valor preditivo positivo foi de 60,3% entre os participantes com resultado positivo.
Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o teste ainda não substitui os exames de rastreamento já recomendados. Um resultado negativo também não significa que a pessoa não tenha câncer, enquanto um resultado positivo precisa ser confirmado por exames convencionais, como exames de imagem e biópsias.
Outro estudo publicado simultaneamente pela Nature Medicine, com dados do grande ensaio NHS-Galleri, mostrou que a precisão para apontar a origem do câncer variou entre 91,1% e 93,6% nas três rodadas de rastreamento. O estudo envolveu mais de 142 mil pessoas no Reino Unido.
Os resultados, portanto, reforçam o potencial dos exames de sangue para auxiliar na detecção de diferentes tipos de câncer em uma única análise, mas ainda existem dúvidas sobre o impacto da tecnologia na redução de diagnósticos tardios e na mortalidade. No principal desfecho do estudo britânico, o teste não conseguiu demonstrar redução estatisticamente significativa nos diagnósticos de câncer em estágios 3 e 4.
Os próprios autores do PATHFINDER 2 afirmam que são necessários estudos randomizados e acompanhamento mais longo para determinar o benefício clínico desses exames na população.






