Uma jovem de 28 anos perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo após sofrer um grave traumatismo cranioencefálico durante um passeio na montanha-russa Montezum, do Hopi Hari, em Vinhedo (SP). O caso aconteceu em 20 de abril e passou a ser investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo após ganhar repercussão neste domingo (20), no Fantástico, da TV Globo.
Júlia Rimoli Bossoni havia viajado de Londrina (PR) com o marido, João Pedro Bossoni, para visitar o parque. Segundo o depoimento dele, o casal fez o percurso da Montezum duas vezes naquele dia. Na segunda volta, o equipamento teria apresentado fortes solavancos. Ao fim do trajeto, Júlia estava desacordada e apresentava convulsões.
Ela foi atendida inicialmente no ambulatório do parque e depois levada à Santa Casa de Vinhedo. Exames identificaram uma hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral. A jovem precisou passar por cirurgia de emergência e permaneceu cerca de 60 dias internada.
Segundo laudos médicos apresentados à investigação, foram descartadas causas como malformação arteriovenosa congênita e AVC espontâneo. Um neurocirurgião ouvido pelo Fantástico apontou que o quadro seria compatível com um mecanismo de “contragolpe”, provocado por movimentos bruscos de aceleração, desaceleração e rotação da cabeça durante o percurso.
Após o acidente, Júlia passou por outras cirurgias e segue em reabilitação. De acordo com a família, ela não movimenta o braço e a perna esquerdos e também apresenta dificuldades de fala e alterações de memória.
O Ministério Público solicitou perícia técnica na Montezum, além de prontuários médicos e outras informações para esclarecer as circunstâncias do caso. A investigação ainda não concluiu se houve falha no equipamento ou na operação da atração.
Em nota, o Hopi Hari afirmou que prestou atendimento imediato, acompanhou a internação e custeou despesas relacionadas ao tratamento. O parque também declarou que a Montezum possui certificação internacional, passa por inspeções periódicas e segue normas de segurança. Segundo a administração, um parecer do MP emitido em agosto não apontou defeito no projeto ou risco coletivo na atração.






