O que parecia ser apenas uma brincadeira de criança se transformou em um grande susto para a família de Henry, um menino britânico que tinha 3 anos e meio quando começou a apresentar comportamentos estranhos. A mãe, Cat Davies, inicialmente acreditou que o filho estava apenas fazendo graça, mas os sintomas eram sinais de um problema neurológico grave.
Henry começou a apresentar episódios em que ria de uma maneira diferente e ficava cambaleante. Como os momentos duravam apenas um ou dois minutos, Cat não imaginou que pudesse haver algo sério acontecendo.
Semanas depois, porém, a situação mudou. Enquanto colocava o filho para dormir, a mãe percebeu novamente a risada incomum. Henry tentou se levantar para pegar um avião que estava pendurado no teto, mas não conseguiu ficar de pé direito.
Foi então que Cat percebeu algo ainda mais preocupante: o lado direito do corpo do menino estava fraco e sua boca havia ficado torta. Henry também não conseguia falar e passou a emitir apenas sons.
Naquele momento, a mãe percebeu que poderia se tratar de um AVC e acionou o serviço de emergência. O menino foi levado inicialmente a um hospital local e depois transferido para o Hospital Universitário de Southampton.
Oito episódios em pouco tempo
Henry passou por uma bateria de exames. Segundo Cat, foram realizados 23 testes em apenas 24 horas, incluindo exames de ressonância magnética, análises de sangue e avaliações cardíacas.
Os médicos descobriram que o menino havia sofrido ataques isquêmicos transitórios (AITs), popularmente chamados de “mini-AVCs”. O problema acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é temporariamente interrompido, reduzindo o fornecimento de oxigênio.
Ao todo, os médicos identificaram oito episódios.
A causa dos ataques, no entanto, não foi determinada. Um dos médicos levantou a possibilidade de uma relação com uma infecção anterior por catapora, ocorrida cerca de seis meses antes, mas os exames não encontraram vestígios do vírus.
Exames mostraram danos no cérebro
Embora Henry atualmente não apresente sinais aparentes de sequelas, exames revelaram algumas áreas de dano no lado esquerdo do cérebro.
A mãe conta que o filho, hoje com 4 anos, está saudável e se prepara para começar a escola. Apesar disso, os médicos ainda acompanham seu desenvolvimento e não descartam a possibilidade de dificuldades de aprendizagem no futuro.
Henry também toma aspirina diariamente para reduzir o risco de novos episódios.
Para Cat, o episódio foi traumático. Ela contou que passou a ficar em alerta sempre que o filho apresenta algum comportamento diferente, com medo de que os sintomas possam voltar.
Mãe transforma experiência em livro
Depois de enfrentar a doença do filho, Cat decidiu criar um livro infantil sobre AVCs em crianças. Ela não encontrou publicações que abordassem o assunto de maneira voltada para os próprios pequenos que passam pela situação.
Assim nasceu “Harry’s Wibbly Wobbly Moments”, obra inspirada na experiência de Henry. A renda obtida com o livro é destinada à Stroke Association e à compra de materiais para o setor de neurologia pediátrica.
AVC também pode acontecer em crianças
Embora seja muito mais associado a adultos, o AVC pode ocorrer em qualquer idade, inclusive durante a infância.
Sinais como fraqueza ou dormência repentina em um lado do corpo, boca torta, dificuldade para falar, alterações na visão, confusão, tontura ou perda de equilíbrio exigem atendimento médico imediato.
No caso de Henry, reconhecer rapidamente a combinação entre a boca torta, a fraqueza de um lado do corpo e a dificuldade para falar foi fundamental para que a família procurasse ajuda.






