Relatório final sobre tragédia da Voepass deve responder principais dúvidas sobre queda que matou 62 pessoas

Documento do Cenipa será divulgado nesta quinta-feira e deve esclarecer fatores que contribuíram para o maior acidente aéreo do Brasil desde 2007

Imagem feita por drone mostra trabalho das equipes de emergência em local da queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), em 10 de agosto de 2024. — Foto: Carla Carniel/ Reuters

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira (FAB), divulgará nesta quinta-feira (23) o relatório final sobre a queda do voo 2283 da Voepass, acidente ocorrido em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), que provocou a morte de 62 pessoas. A expectativa é de que o documento apresente, pela primeira vez, as conclusões técnicas sobre os fatores que contribuíram para a tragédia e indique recomendações para reforçar a segurança da aviação brasileira.

Ao longo de quase dois anos de investigação, especialistas do Cenipa analisaram as caixas-pretas da aeronave, registros de manutenção, condições meteorológicas, realizaram simulações de voo, inspeções técnicas e ouviram pilotos, mecânicos e demais profissionais envolvidos na operação. Diferentemente das investigações criminais, o relatório tem caráter exclusivamente preventivo e não aponta culpados ou responsabilidades civis e penais.

Entre os principais pontos que devem ser esclarecidos estão o impacto da formação severa de gelo durante o voo, o funcionamento do sistema de degelo da aeronave ATR 72-500, a atuação da tripulação diante das condições climáticas, possíveis falhas de manutenção e o papel da fiscalização exercida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Também são aguardadas respostas sobre eventuais problemas já conhecidos na aeronave antes da decolagem e se houve falhas nos protocolos operacionais adotados pela companhia.

Especialistas avaliam que o relatório poderá trazer recomendações para fabricantes, companhias aéreas, órgãos reguladores e operadores do setor, com o objetivo de reduzir riscos e evitar novas tragédias.

Após o acidente, a Polícia Federal abriu investigação para apurar possíveis responsabilidades criminais, enquanto a Anac suspendeu as operações da Voepass em março de 2025 e, posteriormente, cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da empresa, impedindo a continuidade dos voos comerciais.

Em nota, a Voepass informou que aguardará a divulgação oficial do relatório para se manifestar sobre as conclusões da investigação. A empresa reiterou que colaborou com os trabalhos do Cenipa desde o início das apurações e reafirmou que apenas o relatório técnico poderá esclarecer as circunstâncias que levaram ao acidente.

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