A reputação de uma empresa sempre foi construída com tempo, consistência e confiança. No ambiente digital, esse processo continua sendo essencial — mas também se tornou vulnerável.
Nos últimos meses, tem crescido no Brasil um tipo específico de golpe que atinge principalmente empresas locais: a extorsão por meio de avaliações falsas no Google.
O mecanismo é simples, mas altamente prejudicial.
Criminosos publicam uma sequência de avaliações negativas, geralmente com nota mínima, muitas vezes utilizando perfis falsos ou recém-criados. Após o impacto inicial na nota média do estabelecimento, entram em contato exigindo pagamento para interromper o ataque ou “resolver” o problema.
A estratégia explora um ponto sensível: a reputação digital.
O impacto vai além da imagem
Hoje, a decisão de compra começa na busca online. Antes de ligar, visitar ou solicitar orçamento, o consumidor consulta avaliações, comentários e a nota média do negócio.
Uma sequência repentina de avaliações negativas pode gerar:
● Queda na taxa de conversão
● Perda de confiança imediata
● Redução de contatos e pedidos
● Desvantagem competitiva direta
Para pequenas e médias empresas, que dependem fortemente da presença local, o dano pode ser significativo em poucos dias.
Por que muitos empresários erram na reação
Diante do susto, é comum agir por impulso. Alguns tentam negociar com os golpistas. Outros respondem de forma emocional às avaliações. Há ainda quem simplesmente ignore a situação, esperando que o problema desapareça.
Essas decisões, embora compreensíveis, raramente resolvem.
Negociar alimenta o ciclo criminoso. Responder de forma inadequada pode reforçar a narrativa negativa. Ignorar pode permitir que o dano se consolide.
É importante compreender que extorsão é crime e viola as políticas da própria plataforma.
O que deve ser feito
Especialistas recomendam três ações imediatas:
- Não negociar nem realizar pagamentos.
- Registrar todas as evidências, incluindo capturas de tela das avaliações e eventuais mensagens de chantagem.
- Utilizar os canais oficiais de denúncia do Google, especialmente quando há pedido de vantagem financeira.
Existe diferença entre uma avaliação injusta e um ataque coordenado com intenção de extorsão. Saber identificar esse padrão é parte fundamental da resposta estratégica.
Reputação digital como ativo estratégico
A presença no Google deixou de ser apenas uma ferramenta de marketing. Hoje, o perfil empresarial funciona como vitrine pública, canal de relacionamento e instrumento de credibilidade.
Nesse contexto, a gestão do perfil empresarial — conhecido internacionalmente como Google Business Profile — tornou-se uma atividade técnica, que envolve monitoramento, interpretação de diretrizes da plataforma, análise de comportamento de usuários e estratégias de fortalecimento reputacional.
Empresas que tratam sua presença digital como ativo estratégico tendem a reagir com mais rapidez e eficiência diante de incidentes.
Prevenção também é estratégia
Além da resposta a crises, a prevenção tem ganhado relevância. Monitoramento frequente, organização interna de processos de atendimento e incentivo estruturado a avaliações legítimas são medidas que reduzem a vulnerabilidade do perfil.
Blindagem reputacional não significa ausência de críticas, mas capacidade de absorver impactos sem comprometer a confiança do mercado.
Um alerta necessário
O ambiente digital ampliou oportunidades para empresas locais alcançarem clientes. Ao mesmo tempo, trouxe novos riscos.
A informação adequada, o uso correto dos canais oficiais e a atuação estratégica são as melhores ferramentas contra esse tipo de prática criminosa.
Em um mercado cada vez mais orientado por avaliações online, proteger a reputação deixou de ser apenas uma preocupação de imagem. Tornou-se uma questão de sustentabilidade empresarial.






