Rugby em Cadeira de Rodas transforma vida de jovem que ficou tetraplégica em aula de natação

Conhecer o Rugby em Cadeira de Rodas foi o grande divisor de águas na vida da Kamila

Mergulho em águas rasas é a segunda maior causa de tetraplegia no verão.

“Ficou tudo preto, senti um choque no corpo todo, quando abri os olhos estava embaixo d´água, com os braços moles”. Foi essa a sensação de Kamila Fernanda Reis Lisboa, de 19 anos, depois de treinar um mergulho, durante uma aula de natação, no dia 6 de outubro de 2022. Na época, a jovem tinha 18 anos e praticava o esporte em uma academia do bairro onde mora, na cidade de Campinas. Na hora, ela pensou que tivesse quebrado o braço, mas ao tentar ficar de pé avisou a professora que não conseguia mexer as pernas. Ela não tinha ideia do que havia acontecido, apenas alguns dias depois recebeu o diagnóstico de que estava com uma lesão medular por tetraplegia incompleta (C6), devido ao acidente.

“Eu não tinha noção que era uma condição crônica, achei que seria rápido e depois eu voltaria a andar”. Atualmente, Kamila faz parte do time de Rugby em Cadeira de Rodas da ADEACAMP (Associação de Esportes Adaptados de Campinas). Assim como ela, outros jogadores da equipe também adquiriram a tetraplegia depois de sofrer um acidente com um mergulho em águas rasas, sendo o principal motivo de tetraplegia entre o grupo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), durante o verão essa é a segunda maior causa de lesão medular e a quarta em outras épocas do ano e cerca de 90% das vítimas são jovens com idade entre 10 e 30 anos.

Assim como na maioria dos casos, os principais desafios para a atleta, foram aceitar e entender tudo o que tinha acontecido. “Nos primeiros meses foi bem difícil, eu tive que usar um colar cervical por três meses, ficava mais na cama ou na poltrona, dependia de todo mundo para tudo. Na primeira vez que fui para a cadeira de rodas, depois de dois meses, tudo mudou. Eu tinha pouco movimento de braço e ainda precisava empurrar a cadeira de rodas”, lembra. Além de entender sua nova realidade, Kamila também precisava conhecer mais sobre esse novo mundo. “Eu fui aprendendo, não tinha noção de nada, fui pesquisando sobre pessoas que já tinham passado por isso, pensava que nunca iria conseguir fazer o que essas pessoas conseguem, mas eu evitava pensar no futuro”.

A fisioterapeuta da ADEACAMP, Giovanna Oliveira Barbosa, reforça que os acidentes acontecem não só em piscinas, por isso é importante redobrar o cuidado ao procurar um lugar para se refrescar durante esses dias de temperaturas mais quentes. “Os principais riscos são os traumatismos cranianos, desde as lesões medulares como a tetraplegia, alterações neurológicas como a perda de sensibilidade, paralisia, força muscular, acometendo os quatro membros”, explica.

Superação com o esporte
Conhecer o Rugby em Cadeira de Rodas foi o grande divisor de águas na vida da Kamila. Ela foi apresentada ao esporte por meio de um amigo, e ficou admirada ao ver o desenvolvimento dos atletas durante um treino. “Eu vi eles conseguindo empinar as cadeiras, fazer transferência sozinhos, percebi que não era impossível e comecei a ir atrás disso”. Hoje, Kamila tem o Rugby como seu esporte favorito. Foi com a prática que percebeu uma melhora em sua saúde mental, passou a ganhar músculos, mobilidade e busca também outras conquistas dentro de quadra.

“Quando eu estou jogando, me sinto feliz”. A fisioterapeuta explica que a prática esportiva, como do Rugby, leva a melhora da funcionalidade na vida cotidiana, ajuda na mobilidade motora e respiratória, equilíbrio, melhora a prática de transferência, prevenção de lesões por falta de estímulos e melhora da força, mobilidade e resistência muscular.

Hoje, Kamila faz reabilitação no Centro De Reabilitação Lucy Montoro e treina com a equipe da ADEACAMP duas vezes na semana. Ela afirma que o esporte ajudou na melhora da sua autoestima e a ganhar confiança, já que tinha vergonha de sair na rua logo que ficou tetraplégica. “Depois que entrei no Rugby o meu ciclo de amigos cresceu, tenho uma perspectiva de vida , de futuro, aprendi dentro e fora de quadra” . A fisioterapeuta da ADEACAMP reforça que o esporte, como um todo, abre portas e transforma vidas através do movimento, e é exatamente esse um dos principais benefícios nestes casos.

O ambiente esportivo estabelece o relacionamento entre pessoas e um convívio social, promovendo a inclusão de pessoas com deficiência, ajuda a desenvolver autonomia, autoconfiança, entre outras.

Dicas

– Não mergulhe em águas turvas ou desconhecidas;
– Não mergulhe após ingerir bebida alcoólica ou outras substâncias que atrapalhem os reflexos;
– Evite empurrar os amigos para dentro da água;
– E cuidado ao tentar ajudar uma pessoa que sofreu este tipo de lesão: caso queira que ela mexa a cabeça poderá piorar a lesão. O mais importante é imobilizar e chamar ajuda médica para adequada avaliação.
Fonte: Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

Consequências que o mergulho em águas rasas pode causar:
– Paralisia de pernas e braços
– Danos para coluna vertebral
– Lesões como fratura e luxação
– Problemas neurológicos
– Trauma de crânio
– Fratura nas mãos, pés

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