Nomeada pelo governador Tarcísio de Freitas, a nova comandante-geral assume a maior tropa policial do país em cerimônia emocionante na Academia do Barro Branco

Uma página inédita foi escrita nesta quarta-feira (29) na história da segurança pública brasileira. Pela primeira vez em quase dois séculos de existência da corporação, uma mulher assume o posto mais alto da Polícia Militar do Estado de São Paulo. A coronel Glauce Anselmo Cavalli tomou posse como comandante-geral em cerimônia realizada na Academia do Barro Branco, na capital paulista, substituindo o coronel José Augusto Coutinho, que passa para a reserva após mais de 34 anos de serviço.
A nomeação, assinada pelo governador Tarcísio de Freitas em 15 de abril, foi celebrada como um marco histórico não apenas para a instituição, mas para toda a segurança pública nacional. “Não é apenas uma troca de comando. É uma forma de escrever a história da Polícia Militar. A coronel Glauce é uma oficial preparada, respeitada, pronta para liderar”, afirmou o governador durante a cerimônia.
Em seu discurso de posse, a coronel Glauce foi direta ao atribuir a conquista a todas que vieram antes dela. “Ser a primeira mulher a liderar a Polícia Militar do Estado de São Paulo em quase 200 anos não é uma vitória pessoal, mas uma conquista de todas as policiais militares que percorreram esse caminho, especialmente pelas pioneiras, as 13 mais corajosas de 1955”, declarou, em referência ao primeiro grupo de policiamento feminino criado no Brasil — pioneiro também na América Latina.
A nova comandante não se limitou ao simbolismo do momento. Em tom firme, convocou a instituição a seguir avançando. “Que essa conquista histórica não represente um ponto de chegada, mas sim um novo marco de avanço, no qual o mérito, a coragem e o compromisso com o bem comum continuem a nortear nossa instituição”, completou.
Uma trajetória construída em todas as frentes
A chegada de Glauce Cavalli ao topo da maior polícia da América Latina não foi fruto do acaso. Sua carreira na PM percorreu diferentes frentes — operacional, jurídica, de comunicação e de gestão. Antes da nomeação, chefiava a Diretoria de Logística da corporação. Ao longo dos anos, comandou o CPA/M-2, responsável por uma das regiões de maior densidade populacional da capital paulista, dirigiu o Centro de Comunicação Social da PM e chefiou a Coordenadoria de Assuntos Jurídicos do Comando Geral.
Doutora e mestre em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, a coronel também é graduada em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e em Educação Física pela Escola de Educação Física da própria PM — um currículo que combina rigor acadêmico com profundo conhecimento institucional.
O secretário de Segurança Pública em exercício, coronel Henguel Ricardo Pereira, destacou o peso histórico do momento ao lembrar que a PM conta hoje com 11.620 policiais femininas atuando em todas as suas áreas. “Desde 1955, as mulheres vêm com coragem e determinação escrevendo sua história na segurança pública. Passamos por décadas de evolução, superação de barreiras e principalmente demonstração inequívoca de competência”, afirmou.
O comando herdado por Glauce é o maior do país. A PM paulista responde por uma estrutura colossal, e a escolha de uma mulher para liderar esse contingente foi lida pelo governador Tarcísio como um recado às novas gerações. “Quantas mulheres terão a coronel Glauce como inspiração? Seu trabalho abre portas e rompe barreiras, além de mostrar que as mulheres podem ocupar qualquer espaço de tomada de decisão”, declarou.
O novo subcomandante da corporação será o coronel Mário Kitsuwa. Ao deixar o cargo, o coronel Coutinho se despediu com elogios à sucessora. “Tenho certeza que farão um ótimo trabalho. São oficiais honrados, conhecedores de seus deveres e preparados para a missão”, disse.





