“Mandaram minha filha para casa”: mãe denuncia atendimento no PS Afonso Ramos antes de diagnóstico de AVC

Patrícia Curiel relatou que a filha apresentou fortes dores, perda de movimentos e vômitos antes do diagnóstico; jovem passou por cirurgia de cerca de dez horas na Unicamp e, segundo a família, não ficou com sequelas

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Uma adolescente de 17 anos passou por uma cirurgia de aproximadamente dez horas após ser diagnosticada com um AVC (Acidente Vascular Cerebral) hemorrágico e, contrariando as expectativas diante da gravidade do quadro, apresentou boa recuperação e não ficou com sequelas, segundo a família. O caso ocorreu em julho e ganhou repercussão depois que a mãe da jovem decidiu questionar publicamente o atendimento inicial recebido no Pronto-Socorro Dr. Afonso Ramos, em Santa Bárbara d’Oeste.

Em contato com a redação do Jornal Americanense, Patrícia Lissandra Curiel, mãe de Ana Clara Curiel Zanola, relatou os momentos vividos pela família desde os primeiros sintomas até a transferência da adolescente para o Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas.

Moradora do Parque Zabani, Patrícia contou que tudo começou na noite de 16 de julho, durante a comemoração do aniversário de outra filha. Ana Clara apresentou repentinamente uma dor intensa na nuca, além de formigamento nas pernas e nas pontas dos dedos. De acordo com a mãe, a jovem também perdeu temporariamente a sensibilidade e os movimentos das pernas.

Diante dos sintomas, a família procurou o Pronto-Socorro Dr. Afonso Ramos. Segundo Patrícia, a adolescente foi avaliada, recebeu medicação e realizou exame de sangue. A mãe afirma que, naquele momento, uma das hipóteses apresentadas teria sido uma crise de ansiedade.

Patrícia disse ainda ter questionado a possibilidade de um AVC diante dos sintomas apresentados pela filha, mas relata que essa hipótese não teria sido considerada naquele primeiro momento.

Ana Clara retornou para casa, porém, conforme a mãe, não apresentou melhora. As dores de cabeça e na região da nuca continuaram e a adolescente começou a vomitar.

Família retornou ao pronto-socorro

Na manhã seguinte, 17 de julho, Patrícia voltou com a filha ao Afonso Ramos. De acordo com seu relato ao Jornal Americanense, inicialmente a família teria recebido a informação de que o quadro poderia estar relacionado a uma infecção viral.

Preocupada com a persistência e a intensidade dos sintomas, Patrícia afirma que pediu a realização de exames de imagem. A tomografia, segundo ela, não teria sido solicitada imediatamente.

Ao longo daquele dia, Ana Clara passou por novas avaliações e exames. Posteriormente, diante de alterações identificadas e da continuidade do quadro, a adolescente foi encaminhada para uma tomografia.

O resultado mudou completamente o cenário enfrentado pela família: havia um sangramento cerebral.

Segundo Patrícia, os médicos informaram que Ana Clara havia sofrido um AVC hemorrágico e que seu estado era extremamente grave. A notícia deu início a uma corrida por atendimento especializado.

Transferência e cirurgia na Unicamp

Ana Clara passou pela Santa Casa de Santa Bárbara d’Oeste e, posteriormente, foi encaminhada ao Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas. A transferência ocorreu no dia 19 de julho.

A gravidade do caso exigiu uma intervenção cirúrgica. No dia 20, a adolescente entrou no centro cirúrgico pela manhã e permaneceu em procedimento por aproximadamente dez horas, segundo informações repassadas pela mãe à reportagem.

Após a cirurgia, vieram dias de apreensão e acompanhamento intensivo. A família aguardava para saber não apenas se Ana Clara sobreviveria, mas também quais poderiam ser as consequências neurológicas provocadas pelo sangramento.

A evolução, porém, foi positiva.

Patrícia conta que um dos momentos mais marcantes ocorreu quando conseguiu reencontrar a filha e percebeu que ela a reconhecia. Com o passar dos dias, Ana Clara voltou a falar, se alimentar e apresentar respostas consideradas animadoras pela família.

Segundo a mãe, a adolescente não apresentou sequelas decorrentes do episódio.

Mãe pede apuração sobre atendimento inicial

Passado o período mais crítico, Patrícia decidiu relatar publicamente o que aconteceu e cobrar esclarecimentos sobre as primeiras avaliações realizadas no pronto-socorro.

Ao Jornal Americanense, ela questionou principalmente o fato de a filha ter apresentado sintomas que, na avaliação da família, justificariam uma investigação neurológica mais aprofundada desde o primeiro atendimento.

A mãe também pretende procurar os órgãos responsáveis para que as circunstâncias do atendimento sejam analisadas.

As afirmações referentes às condutas adotadas no Pronto-Socorro Dr. Afonso Ramos correspondem ao relato apresentado pela mãe da adolescente. A existência de eventual falha ou responsabilidade profissional depende de apuração técnica pelos órgãos competentes e da análise dos registros médicos do atendimento.

Apesar dos questionamentos, para Patrícia, o sentimento que prevalece neste momento é de gratidão pela sobrevivência e recuperação da filha.

“Antes de ser minha filha, ela é filha de Deus. Se Ele a sustentou por dez horas de cirurgia, por três hospitais diferentes, Ele não permitiria que nada a atingisse. Não deixou nenhuma sequela”, declarou.

Depois de dias marcados por medo, transferências hospitalares e uma cirurgia de alta complexidade, a família agora acompanha a recuperação de Ana Clara e considera a oportunidade de vê-la novamente em casa, sem sequelas, um verdadeiro recomeço.

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