A Justiça de Santa Catarina determinou que Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, seja submetida a um exame de sanidade mental nesta sexta-feira (26). A mulher responde pelos crimes de estelionato e falsa identidade após se passar por uma adolescente de 12 anos e enganar uma família em Joinville (SC).
O exame foi solicitado pela defesa e aceito pela Justiça. Com isso, o processo ficará suspenso até a conclusão do laudo, que será elaborado pela Polícia Científica de Santa Catarina. Amanda está presa preventivamente desde o dia 2 de junho, no Presídio Feminino Regional de Joinville.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina, Amanda se apresentou inicialmente como “Gabriele”, afirmando procurar uma oportunidade de trabalho na área de panificação. Após conquistar a confiança da família, passou a dizer que era uma menina de 12 anos em situação de vulnerabilidade e acabou sendo acolhida pelo casal.
Ela viveu na casa da família por cerca de 14 meses. Durante esse período, as vítimas custearam alimentação, moradia, medicamentos e outras despesas. Amanda chegou a ganhar uma festa de aniversário de 12 anos e era tratada como uma filha.
Para sustentar a falsa identidade, a acusada dizia ser autista e alegava que traumas e tratamentos hormonais durante a infância haviam afetado seu desenvolvimento físico. Conforme as investigações, ela também adotava comportamentos infantilizados, como falar com voz de criança, usar chupeta, mamadeira e objetos de apego para convencer as vítimas.
A fraude foi descoberta quando uma familiar pesquisou o nome da suposta adolescente na internet e encontrou reportagens sobre casos semelhantes envolvendo Amanda em outros estados.
As investigações apontam que ela aplica esse tipo de golpe há vários anos. Há registros de inquéritos, processos ou prisões envolvendo a suspeita em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Santa Catarina, sempre utilizando nomes falsos e alegando ser criança ou adolescente para conseguir abrigo, ajuda financeira e acolhimento.
O exame de sanidade mental deverá apontar se Amanda tinha plena capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos no momento dos fatos. O resultado poderá influenciar no andamento do processo e em uma eventual responsabilização criminal.






