Thiago Ralado se entrega à Polícia Federal após Operação Fallax

Empresário de Americana é apontado como principal alvo de investigação que apura fraudes bancárias estimadas em R$ 500 milhões

O empresário de Americana Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Thiago Ralado, se apresentou na manhã desta sexta-feira (27) à Polícia Federal em Piracicaba. Ele era considerado foragido desde quarta-feira (25) e é apontado como principal alvo e articulador da Operação Fallax, que investiga um amplo esquema de fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal.

Também se entregaram Glaucia Juliana de Azevedo, esposa do empresário, e o irmão dela, Julio Ricardo Iglesias Oriolo. Segundo a PF, os dois homens foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória de Piracicaba, enquanto Glaucia seguiu para a Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu.

De acordo com as investigações, Thiago seria o responsável por articular contatos, cooptar “laranjas”, criar empresas de fachada, manter contato com gerentes bancários e orientar a produção de documentos usados para obtenção de crédito irregular. A PF afirma que pessoas chegavam a receber R$ 150 ou R$ 200 para emprestar o nome ao esquema.

O delegado Henrique Souza Guimarães descreveu o investigado como altamente articulado e afirmou que ele teria ligação com uma facção criminosa paulista, para a qual também realizava lavagem de capitais por meio das empresas criadas. Parte dos valores desviados, segundo a investigação, era convertida em carros de luxo, imóveis, festas e criptoativos, dificultando o rastreamento do dinheiro.

A operação cumpriu 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Até o momento, 18 pessoas foram presas e três seguem foragidas. Entre os alvos está Rafael de Gois, CEO do Grupo Fictor.

A PF informou que 172 empresas fictícias conseguiram financiamentos em diversas instituições financeiras, somando pelo menos R$ 47 milhões já rastreados, embora o total das fraudes investigadas possa ultrapassar R$ 500 milhões. Houve bloqueio e sequestro de bens, veículos e ativos financeiros, além da quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 jurídicas.

Mandados também foram cumpridos em Limeira e Rio Claro, onde celulares, máquinas de cartão, notebook, pen drive e munições foram apreendidos.

Em nota, a Caixa afirmou que atua em cooperação com a Polícia Federal no combate a fraudes e reforçou que possui políticas rigorosas de prevenção a crimes financeiros.

As defesas de outros investigados informaram que irão se manifestar após acesso aos autos. A defesa de Thiago não havia sido localizada até a última atualização.

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