A filha de uma paciente internada no Hospital São Lucas, da rede Hapvida NotreDame Intermédica, denuncia supostos casos de negligência, falta de assistência adequada e descumprimento de decisão judicial para alta com home care. O caso envolve a paciente Neide da Cruz dos Santos, de 64 anos.
Segundo a filha, Geisa Santos Gaudêncio, a mãe está internada desde janeiro deste ano, apesar de já ter recebido indicação médica de alta com home care desde março. Neide enfrenta um quadro delicado desde dezembro de 2023, quando apresentou complicações pulmonares e cardíacas. Desde então, passou a conviver com comorbidades severas, incluindo perda de mobilidade, necessidade de traqueostomia e alimentação exclusiva por sonda gástrica, após cirurgia de gastrostomia (GTT).
Durante a internação, a paciente ainda teria contraído uma pneumonia dentro do próprio hospital, o que agravou seu estado de saúde e prolongou sua permanência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Para a família, o episódio reforça a fragilidade do atendimento prestado.
Após a estabilização do quadro clínico e a realização da cirurgia, médicos teriam autorizado a alta hospitalar. No entanto, segundo Geisa, a liberação não ocorreu sob a justificativa de uma “transição interna de empresas”, o que teria impedido a implantação do serviço de home care — mesmo diante de uma liminar judicial que garante esse direito.
Além da permanência considerada desnecessária, a família relata situações que apontam para falhas graves na assistência diária. “Os banhos são dados quando querem. Chegaram a dar banho na minha mãe às 4 da manhã. Para uma pessoa idosa, com problemas psicológicos, isso é desumano”, afirma a filha.
Outro ponto crítico, segundo o relato, é a falta de regularidade em procedimentos essenciais, como a aspiração de secreções — fundamental para pacientes com traqueostomia. “Há dias em que uma equipe passa a responsabilidade para outra. Enquanto isso, minha mãe fica com acúmulo de secreção, o que é extremamente perigoso”, diz.
Geisa também denuncia o impacto emocional da situação. “Ela chorava muito quando fui visitá-la. É uma pessoa que já enfrenta problemas psiquiátricos e está sendo submetida a um sofrimento desnecessário”, relata.
Mesmo internada, a família afirma que precisa arcar com custos que deveriam ser de responsabilidade do hospital ou do convênio, como fraldas, insumos e a contratação de cuidadoras para garantir o mínimo de assistência. “Gastamos quase 10 mil reais em um único mês, contando final de fevereiro e final de março. Estamos falindo”, afirma.
A família também questiona cobranças relacionadas ao transporte da paciente e relata dificuldades anteriores para conseguir ambulância no momento da alta.
Uma nova decisão judicial teria reforçado o direito ao home care, incluindo toda a estrutura necessária para continuidade do tratamento em casa. Ainda assim, segundo Geisa, a determinação segue sem cumprimento.
“Minha mãe não precisa mais estar internada. Ela precisa de dignidade, de estar em casa, com a família. O que está acontecendo é negligência e descaso”, conclui.
Procurada pelo JA, a operadora emitiu o seguinte comunicado:
A companhia reafirma seu compromisso com a qualidade do atendimento aos seus beneficiários e informa que a equipe assistencial presta acompanhamento contínuo à paciente, com atenção individualizada às suas necessidades. A diretoria de acolhimento mantém contato ativo com a família, oferecendo orientações e garantindo o suporte necessário, em linha com os protocolos, diretrizes e prazos estabelecidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Por se tratar de processo judicial em andamento, a empresa não comenta detalhes do caso.






