
Pais de Lídia e Maria Eduarda afirmam que decisão foi tomada por questões emocionais e de saúde; ato público está marcado para 29 de março no local do acidente.
O acidente que tirou a vida das adolescentes Lídia Moraes Aguiar e Maria Eduarda de Souza Almeida, ambas de 15 anos, continua gerando comoção em Americana e região. As duas estudantes da Etec Polivalente morreram após o carro em que estavam bater contra um poste na Avenida Igaratá, na madrugada de 17 de fevereiro de 2026.
Maria Eduarda morreu no local do acidente, enquanto Lídia chegou a ser socorrida em estado gravíssimo e faleceu no dia seguinte no Hospital Municipal de Americana. Outras adolescentes que estavam no veículo ficaram feridas e precisaram de atendimento médico.
O carro, um GM Vectra, transportava sete pessoas — cinco adolescentes e um casal de adultos — e havia saído de Santa Bárbara d’Oeste momentos antes da colisão. Segundo a Polícia Militar, o motorista, de 40 anos, perdeu o controle da direção e bateu lateralmente contra um poste. Durante a ocorrência, também foi encontrada uma pequena quantidade de maconha dentro do veículo.
Inicialmente preso em flagrante, o condutor passou por audiência de custódia e foi liberado para responder em liberdade pelos crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. As circunstâncias do acidente continuam sendo investigadas pela Polícia Civil.
Diante da repercussão do caso, familiares das vítimas haviam anunciado a realização de uma coletiva de imprensa neste domingo, dia 15 de março. No entanto, o encontro foi cancelado. O Jornal Americanense conversou com os pais das adolescentes, que confirmaram a decisão.
Segundo os familiares, o cancelamento ocorreu por questões de saúde física e emocional. Eles relatam que alguns integrantes da família possuem doenças crônicas que exigem tratamento constante e que o impacto do acidente desencadeou crises. Além disso, o luto intenso e a exposição nas redes sociais também têm causado grande desgaste.
“Estamos sofrendo diariamente com ataques pessoais, compartilhamento de conteúdos sensíveis relacionados ao acidente e até incitação de violência contra o condutor — algo com o qual não compactuamos”, afirmaram os familiares. Diante da situação, a decisão foi se recolher temporariamente para cuidar da saúde mental e física e se preparar para um novo momento público.
Agora, familiares, amigos e apoiadores organizam uma manifestação marcada para o dia 29 de março, às 9h, no local do acidente, na Avenida Igaratá, em frente ao Bandini.
De acordo com os organizadores, o ato tem como objetivo manter viva a memória das jovens e reforçar o pedido por justiça. A mobilização também busca evitar que o caso caia no esquecimento, como ocorre com muitas tragédias envolvendo jovens vítimas do trânsito.
“Nessa hora de dor, uma enorme comunidade se formou ao nosso redor para nos dar força. A manifestação será o momento de estarmos juntos, apoiando uns aos outros em busca de justiça”, disseram os familiares.
O ato deve reunir parentes, amigos, professores, profissionais da educação e da saúde que conviveram com as adolescentes, além de pessoas da comunidade sensibilizadas com a tragédia. Os organizadores pedem que os participantes levem cartazes pedindo justiça e uma rosa branca em homenagem às meninas.
A mobilização será pacífica e pretende reforçar o apelo para que o caso seja acompanhado pela Justiça até sua conclusão. “Queremos apenas que o condutor responda legalmente por seus atos”, concluem os familiares.






