Thiago “Ralado” é apontado como peça-chave em esquema milionário; 14 pessoas já foram presas e parte dos detidos está na PF de Piracicaba

A cidade de Americana voltou ao centro das atenções policiais nesta quarta-feira (25), após a deflagração da Operação “Fallax”, conduzida pela Polícia Federal. Um dos principais alvos da investigação, o empresário Thiago Branco de Azevedo, de 41 anos, conhecido como “Thiago Ralado”, segue foragido, conforme confirmaram as autoridades.
De acordo com a Polícia Federal, Thiago é apontado como peça-chave em um esquema nacional de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro que pode ultrapassar R$ 500 milhões. Ele seria responsável por articular contatos, cooptar envolvidos e criar empresas de fachada utilizadas para obtenção irregular de empréstimos junto à Caixa Econômica Federal.
As investigações indicam que o suspeito mantinha uma estrutura com dezenas de empresas fictícias, muitas delas registradas em nome de “laranjas”, inclusive com uso de identidades inexistentes. Essas pessoas recebiam valores baixos, entre R$ 150 e R$ 200, para ceder seus dados, enquanto o grupo movimentava quantias milionárias.
Segundo o delegado da Polícia Federal, Thiago era altamente articulado e atuava como elo entre o núcleo financeiro do esquema e os operadores responsáveis pela abertura de contas e movimentações ilícitas. Há ainda indícios de que parte das operações estaria ligada a uma facção criminosa, com lavagem de capitais realizada por meio dessas empresas.
Durante a operação, foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Até o momento, 14 pessoas foram presas, sendo que ao menos 10 estão detidas na sede da Polícia Federal em Piracicaba. Entre os investigados está também o empresário Rafael Góis, CEO do Grupo Fictor.
Em Americana, equipes realizaram buscas em imóveis de alto padrão, incluindo uma residência no Condomínio Terras do Imperador, onde foram apreendidos computadores, celulares e documentos. Outro endereço, no Jardim Ipiranga, também foi alvo da ação, resultando na prisão de um suspeito e na apreensão de equipamentos eletrônicos.
A investigação teve início em 2024, após a identificação de movimentações financeiras suspeitas e da atuação estruturada do grupo, que contaria ainda com a participação de funcionários de instituições financeiras para viabilizar as fraudes. Os valores obtidos eram posteriormente ocultados por meio de empresas e convertidos em bens de alto valor e ativos financeiros, dificultando o rastreamento.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, corrupção e delitos contra o sistema financeiro nacional. As penas, somadas, podem ultrapassar 50 anos de reclusão.
Enquanto isso, a Polícia Federal mantém as diligências para localizar Thiago Branco de Azevedo, considerado um dos principais nomes por trás do esquema.








